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O aprendizado da escrita: sobre abismos e estratégias comunicativas

Técnica, estilo, fluidez & comunicabilidade: tudo em escrita se aprende fazendo. A gente começa a escrever sempre de novo e de novo, a cada texto que se inicia.

Por que isso acontece?

Ao escrever, acionamos memória e raciocínio, além dos nossos conhecimentos de língua e repertório sobre o assunto que queremos abordar; fazemos escolhas sobre o tipo de texto mais adequado para a situação de comunicação que vamos estabelecer com nossos possíveis leitores e decidimos qual o registro de linguagem mais apropriado para alcançá-los; utilizamos recursos que vão desenhar nosso estilo próprio (a chamada marca autoral) e vinculamos nossa escrita a um cenário externo, em que textos circulam e alimentam o debate de ideias do tempo em que vivemos.

A cada nova situação comunicativa, há que se arquitetar um plano de texto baseado em estratégias do dizer para alcançar os propósitos que traçamos naquela situação particular.

Por se tratar de um processo de seleção e escolhas de linguagem para se atingir objetivos específicos é que se começa de novo a cada vez.

Sob essa perspectiva, devemos abordar a escrita de textos a partir das relações de sentido que dão cor e propósito a esse ato comunicativo, ao invés de nos limitarmos a seguir um prêt-à-porter de procedimentos formais e regras descontextualizadas de uso da linguagem. A partir dessa reorientação teórico-prática, o aprendizado da produção textual se enriquece, pois cada texto passa a ser compreendido como agente de uma dinâmica discursiva que envolve a negociação de sentidos entre o autor e seus leitores.

Com base nisso, repensar a escrita em termos de estratégia comunicativa significa desenvolver nossa consciência textual, a percepção de por que fazemos as escolhas de linguagem que fazemos – e, com isso, nos tornarmos aptos a fazer escolhas melhores e mais eficientes.

Assim, com paciência e esperança, vamos escrevendo a contrapelo, transpondo uma sucessão de solitários abismos: dentre eles, o abismo entre o que penso (e que costuma ser tão claro para mim) e aquilo que efetivamente escrevo, em papel esquivo ou teimosas teclas; e também o abismo entre o leitor que minha escrita construiu e o leitor real, que vai interpretar o texto de acordo com suas próprias capacidades, sistema de referências e limitações.

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Deise Gugeler

Mestre em Letras pela UFSM (2011). Área de concentração: Estudos Literários.
Graduada em Letras pela UFSM (2008). Área de concentração: Inglês e Literaturas de Língua Inglesa.

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